Você sabe qual é a influência do Bisfenol na fertilidade?

Você sabe qual é a influência do Bisfenol na fertilidade?

O Bisfenol A (BPA) é um produto químico produzido pela indústria na fabricação do policarbonato, o qual é um plástico de alta resistência, transparente e rígido, utilizado em muitos produtos, como alguns recipientes que armazenam líquidos e alimentos. Além disso, a partir dele também é produzida a resina epóxi, que é utilizada no interior das latas de alumínio para evitar a corrosão.

Veja como o bisfenol pode afetar a fertilidade, bem como as suas fontes e formas de evitar a exposição.

Influência do Bisfenol na fertilidade

O bisfenol possui uma estrutura química parecida com o estrogênio, por isso, ele pode alterar a fertilidade masculina e feminina.

Estudo de revisão demostrou que a alta concentração de BPA no organismo, ocasiona diminuição da testosterona e a ausência de espermatozoides em ratos machos. Além disso, em estudos em humanos, a alta concentração de bisfenol foi relacionada a menor produção e concentração de espermatozoides.

Em 2019, um estudo avaliou a correlação entre a presença de Bisfenol-S (BPS) na urina com a qualidade do sêmen, foi evidenciado associações de concentrações urinárias de BPS com menor volume de ejaculação, da concentração de espermatozoides, da contagem total e da motilidade, dentre eles, algumas associações foram observadas apenas em homens com sobrepeso/obesidade.

A alta concentração de BPA em mulheres, pode induzir a puberdade precoce, síndrome do ovário policístico, endometriose, além de geralmente possuir menor qualidade e produção dos óvulos.

O bisfenol pode dificultar a fixação do embrião na parede do útero, influenciando no desenvolvimento embrionário, o que pode levar a um aborto espontâneo. As maiores incidências de aborto foram em gestantes com alta concentração de BPA do que as gestantes com baixos níveis.

Os estudos não são conclusivos, pois nem todos demonstraram esses mesmos resultados. Assim, a ANVISA, emitiu um parecer afirmando que as pesquisas que demonstraram efeitos prejudiciais à saúde utilizaram quantidades elevadas de BPA. No Brasil, as indústrias são permitidas a fabricar embalagens com valores bem inferiores, o que não ocasionaria danos à saúde.

Atualmente, apenas as mamadeiras e produtos similares destinados a alimentação de crianças menores de 1 ano de idade são proibidas de serem comercializadas com bisfenol A, pois o organismo do bebê ainda não está totalmente desenvolvido para que possa excretar o BPA pela urina.

Apesar de ser necessário mais estudos que comprovem a influência do BPA na fertilidade, o melhor a se fazer é evitar a exposição dos alimentos e bebidas a essa substância.

Onde encontramos Bisfenol A?

  • Enlatados
  • Plásticos de policarbonato
  • Mamadeiras
  • Produtos de higiene pessoal
  • Garrafão de água mineral retornável
  • Copos, pratos e talheres de plástico
  • Alguns brinquedos
  • Recibos de papel
  • Produtos com símbolos de reciclagem 3 e 7 (indicam que a embalagem contém ou pode conter BPA)

Mas como você ingere o Bisfenol?

É por meio dos alimentos e bebidas que estão armazenadas nesses produtos que citamos acima!

O BPA é transferido para os alimentos ou bebidas, quando estes entram em contato com a embalagem ou resina. Além disso, quando os recipientes são expostos ao congelamento ou ao calor do micro-ondas e da máquina de lavar, há maior liberação dessa substância.

Como evitar a exposição de BPA

  • Prepare sua refeição, com alimentos in natura
  • Consuma produtos com embalagem livre de bisfenol (BPA free)
  • Evite alimentos enlatados
  • Não aqueça alimentos dentro de recipientes de plástico no micro-ondas
  • Armazene alimentos e bebidas em recipientes de vidro
  • Utilize pratos, talheres e copos de porcelana, aço inox e vidro

Lembre-se: se for armazenar alimentos em recipientes de plástico, prefira aqueles que não contenham os símbolos de reciclagem (triangulo) com os números 3 e 7.

Referências:

https://www.healthline.com/nutrition/what-is-bpa#bottom-line

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302000000400008

https://www.endocrino.org.br/bisfenol/

https://academic.oup.com/humrep/article/20/8/2325/618455

http://www.revistaseletronicas.fmu.br/index.php/ASA/article/view/965

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160412019313856

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