Probiótico para crianças é uma opção saudável?

Probiótico para crianças é uma opção saudável?

A microbiota intestinal vem ganhando muita atenção durante os últimos anos devido sua importância para a modulação da resposta imunológica e controle de processos infecciosos, o que a torna extremamente essencial para que a saúde esteja em dia.

Os probióticos, conhecidos por serem extremamente benéficos para reconstrução da nossa microbiota intestinal, são muito indicados. No entanto, será que a suplementação para crianças seria adequada? Alguns estudos já mostram em quais casos a suplementação infantil se torna viável. Veja abaixo:

Importância de uma Microbiota Intestinal Saudável

Uma microbiota saudável diz respeito à um perfil bacteriano diversificado com presença de bactérias consideradas boas, ou seja, as bifidobactérias e lactobacilos.

Tais bactérias são capazes de auxiliar para uma melhor digestão, absorção de nutrientes potencializada, além de atuar no combate aos germes no organismo1.

A reestruturação da microbiota pode ser feita por meio da reposição de bactérias colonizadoras benéficas do intestino (probióticos) e substâncias que auxiliam o crescimento das mesmas (prebióticos)2.

O que são probióticos?

O termo probiótico é definido como organismos vivos, considerado um suplemento que afeta beneficamente a microbiota intestinal através da colonização da mesma com microrganismos.

Já os Prebióticos são definidos por ser a substância que alimenta as bactérias – probióticos, e simbióticos são os suplementos que apresentam tanto probióticos como Prebióticos em sua composição2.

Microbiota Intestinal x Infância

A microbiota intestinal do feto se estabelece desde o nascimento, sendo única e estável.

Existe uma diferença entre o recém-nascido por parto normal (vaginal) e o por cesárea uma vez que aqueles nascidos de parte normal apresentam uma colonização de bactérias presentes na flora vaginal e fecal da mãe, enquanto os nascidos por cesárea possuem o aparelho digestivo colonizado por bactérias do ambiente2.

Outro fator determinante na colonização de bactérias intestinais é o tipo de alimentação que o lactente recebe durante seus primeiros anos de vida.

O aleitamento materno é capaz e proporcionar mais que 90% de bifidobactérias e lactobacilos, que são as “bactérias benéficas”. Em contrapartida, o aleitamento artificial oferece apenas 40-60% destas bactérias, além de ter em sua composição bactérias do gênero clostrídio, estafilococo e bacterióides2.

Mas a questão é: os probióticos são seguros para serem administrados às crianças?

Probióticos para Crianças?

A Academia Americana de Pediatria3 demonstrou o uso eficiente de probióticos em algumas situações, como:

  • Diarreia: redução do número de evacuações
  • Cólica: melhora da cólica através do uso contínuo de Lactobacillus reuteri Protectis durante 1 semana
  • Alergia respiratória: melhora da asma moderada a partir da administração de Lactobacillus acidophilus

Outros estudos 1, 3, 4, 5 também demonstraram possíveis efeitos de probióticos para crianças. Foi verificado a redução dos níveis de desenvolvimento de:

  • Eczema
  • Alergias
  • Melhora da síndrome do intestino irritável
  • Diminuição de cólicas, constipação e refluxo
  • Redução de incidência e duração de infecções no trato respiratório superior.

Hoje, apesar dos efeitos adversos terem sido relatados esporadicamente, a administração de probióticos às crianças já pode ser considerado segura, desde que consumido de forma adequada. A literatura vem mostrando resultados positivos quanto ao uso de bactérias benéficas, como Lactobacillus rhamnosus GG, Saccharomyces boulardii e Lactobacillus reuteri.7

Probióticos vindos da alimentação ou suplementos? O que preferir?

A resposta não é clara. Sempre devemos priorizar os alimentos para obter uma nutrição adequada, porém no caso de probióticos, crianças podem não conseguir todos os probióticos que o produto diz oferecer, visto que as bactérias dos alimentos podem não sobreviver durante o processamento e armazenamento inadequado do produto.

No entanto, o mesmo pode ser dito dos suplementos que não são bem regularizados1. Visto isso, antes de fazer a suplementação de probióticos, deve-se verificar a marca e sua confiabilidade orientado por um médico ou nutricionista.

Probióticos presentes nos alimentos

Uma boa opção para manter a flora intestinal saudável, é acrescentar alimentos que já contenham bactérias benéficas na alimentação. Importante lembrar de verificar se nas informações nutricionais consta a presença de culturas vivas de microrganismos.

O iogurte com probiótico, leite fermentado e o kefir são exemplos de alimentos que contêm probióticos. Caso seu filho não seja um grande fã de iogurte, faça preparações diferentes, como um molho para sanduíche, molho para salada, vitaminas com iogurte etc1. No entanto, lembrem-se que esses produtos não devem ser consumidos por crianças que apresentam intolerância à lactose e/ou alergia a proteína do leite de vaca (caseína).

Para auxiliar em tratamentos específicos a suplementação pode ser uma melhor opção, dessa forma, consulte o pediatra e nutricionista para avaliar a melhor opção de forma individualizada.

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REFERÊNCIAS:

  1. MCDERMOTT, Annette. Are Probiotics Healthy for Children?. Healthline, mar. 2016.
  2. MORAES, Mauro Batista de; JACOB, Cristina Miuki Abe. O papel dos probióticos e Prebióticos na prática pediátrica. Pediatr., v. 82, n. 5, nov. 2006.
  3. ARMSTRONG, Carrie. AAP Reports on Use of Probiotics and Prebiotics in Children. Am Fam Physician, [s.l.], v. 83, n. 7, p. 849-852, abr. 2011.
  4. SUNG, Valerie et al. Probiotics to Prevent or Treat Excessive Infant Crying
  5. Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Pediatr., [s.], v. 167, n. 12, p. 1150-1157, dez. 2013.
  6. HAO, Qiukui; DONG, Bi Rong; WU, Taixiang. Probiotics for preventing acute upper respiratory tract infections. Cochrane, [s.], n. 9, set. 2011.
  7. VANDENPLAS, Yvan; HUYS, Geert; DAUBE, Georges. Probiotics: an Update. Jornal de Pediatria, [s.], v. 91, n. 1, p. 6-21, ago. 2014.

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Revisado por Priscila Boaventura: Nutricionista registrada (CRN-3 44332) especializada em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional. Graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pós-graduada pela Faculdade Método de São Paulo. Atualmente é responsável pelo conteúdo técnico dos sites Natue e Mundo Verde, em seu tempo livre, gosta de praticar artes marciais.

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